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“O que é que acontece quando toda a gente sabe de tudo e vê tudo?” A pergunta é colocada por Dominique Wolton diante de uma plateia composta por estudantes, professores e curiosos que se deslocaram ao Instituto Superior de Economia e Gestão para ouvir o fundador do Instituto de Ciências da Comunicação do CNRS (Centre National de la Recherche Scientifique). Na passada sexta-feira, 4 de novembro, o também diretor da revista internacional Hermès e autor de dezenas de livros sobre média, espaço público e globalização deu uma palestra sobre o “impacto das redes sociais na comunicação”.

Já passava das 18h30 quando o especialista, perto dos 70 anos, defendeu com uma pitada de humor uma visão humana da comunicação, ao colocar o ser humano acima das tecnologias.

Dominique Wolton é daqueles que argumenta que hoje em dia existe “uma adoração estúpida pela comunicação técnica” e que aborda o fenómeno das solidões interativas, no sentido em que o homem está permanente em contacto, embora cada vez mais sozinho.

“Quanto mais mensagens circulam, maior o risco de sermos desconfiados em relação ao outro”, diz, ao mesmo tem que enfatiza a solução: “O problema da comunicação não é técnico, mas sim humano e político. Não são os computadores que se matam entre si, antes os homens.”

O tema das redes sociais é determinante para o debate que Wolton quer projetar, pelo que o conceituado investigador tem o hábito de deixar críticas a essas plataformas online, as quais passam necessariamente pelo comportamento humano: “Toda a gente quer falar, mas ninguém quer ouvir.” A ideia é, pois, a da partilha egocêntrica, da exposição do eu.

Dominique Wolton não ignora o contributo dos computadores e da internet, no sentido em que são ferramentas utéis para aproximar pessoas geograficamente distantes, mas recusa a ideia de que estas possam eliminar a complexidade da comunicação humana, tida por ele como a mais importante, tal como explicou ao Observador numa entrevista sucinta, realizada no final da conferência.

Diz que informar é simples e que comunicar é muito mais complicado. Como assim? Estamos a perder a habilidade para comunicar?
É mais complicado porque a informação é a mensagem e a comunicação é a relação, é o outro. Quando o outro existe é mais complicado. A questão do século XXI é essa: como fazer face à explosão de informação e, apesar de tudo, comunicar mais. Hoje em dia não há relação mecânica entre informação e comunicação. A comunicação autêntica é aquilo que é mais difícil porque passa pela negociação entre duas personalidades.

Falou em solidão interativa. Que conceito é este?
Antes demais estamos sozinhos porque o movimento de liberdade individual faz com que as pessoas não suportem as estruturas artificiais do casal e da família. As pessoas divorciam-se, estão livres mas sozinhas. É um progresso e, ao mesmo tempo, uma tristeza e, por conseguinte, procuram o outro, [porque] procuramos sempre o amor. Mas como o encontro físico é difícil, substitui-se a comunicação humana pela comunicação técnica, pelas redes sociais, etc. Aí é que corremos o risco de entrar nessa solidão interativa.

 

Ainda me lembro do que era falar sem recurso às novas tecnologias. As gerações mais novas nunca vão ter noção do que isso é. Consegue explicar-lhes o que já perderam?
Digo precisamente aquilo que elas estão a perder. Neste momento não ouvem, mas digo-o, e pode ser que daqui a seis anos aquilo lhes faça algum sentido. A responsabilidade dos adultos em relação aos jovens é dizer-lhes que eles não podem viver num espaço onde apenas comunicam pela internet. Os jovens estão interligados e os adultos muitas vezes são cobardes e não têm a coragem de lhes dizer para pararem, porque os jovens respondem “tu é que és um velho reacionário”.

As redes sociais são usadas para nos exprimir, para falarmos. Estamos a perder a capacidade de ouvir o outro?
Existe uma maior solidariedade entre as pessoas [nas redes] e isso é muito importante e deve ser dito, mas é verdade que há um risco de fechamento comunitário, por isso é fundamental que, a par das redes sociais, tenhamos uma sociedade normal e meios de comunicação social clássicos. Infelizmente, hoje não há uma crítica suficiente das redes, há demasiado apregoamento das redes sociais. Penso que estamos todos fascinados pelo desempenho técnico.

Mas há aqui um problema de imagem que é, ao mesmo tempo, um problema de identidade, certo? Expomo-nos demasiado nas redes sociais e perdemos a capacidade de comunicar com o outro?
Sim, sem dúvida. É uma certeza. Uma rede social estabelece sempre uma comunicação mais agradável do que a comunicação humana. O insucesso ou o fracasso está do lado da comunicação humana e não do lado da comunicação técnica, mas o sentido da vida é a comunicação humana. Não há humanismo técnico, a máquina não tem alma.

Ana Cristina Marques

observador.pt

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