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AS HISTÓRIAS DOS MEUS AVÓS

Sempre gostei de histórias, desde pequeno que gosto muito que mas contem, de as ler ou as ver em filmes. Gosto de histórias fantásticas e inventadas, mas as que mais gosto são as histórias verdadeiras, que foram vividas por pessoas a sério. As histórias verdadeiras que mais me interessavam e emocionavam eram as contadas pelos meus avós. As pessoas mais velhas já viveram muito mais tempo do que nós, aprenderam muitas coisas e têm muito tempo e paciência para nos contarem as mais engraçadas. Para além disso, viveram numa altura em que era tudo diferente, não havia televisão, liam-se cartas à luz das velas em vez de se mandarem emails, comunicava-se por telégrafo em vez de telemóvel, ninguém viajava de avião e o mais parecido com os centros comerciais eram as feiras. Os meus avós maternos tinham uma casa na aldeia e ensinavam-me coisas sobre a vida no campo, contavam-me histórias de pessoas que tinham uma vida completamente diferente da minha e que até chamavam jantar ao almoço (sempre achei isto esquisito). Os meus avós paternos viviam em Lisboa, uma grande cidade com muita gente, muitos sítios para ir e coisas para fazer, até tinha Jardim Zoológico, onde eu ia sempre que podia e adorava. Quando tinha 4 anos e meio fui com os meus pais viver para um país no outro lado do mundo - Timor. Eu não gostava nada de lá estar e pedi para voltar para Portugal. Por incrível que pareça, os meus pais deixaram-me vir e ficar com os meus avós de Lisboa. Toda a gente estava com medo que eu ficasse a chorar, mas não, fiquei todo contente, mimado por 4 avós. Na casa onde fiquei, para além da minha avó e do meu avô, viviam 2 tias-avós: a tia Laila e a tia Zália (os nomes verdadeiros não eram estes mas era assim que eu lhes chamava). A minha avó tomava muito bem conta de mim e contava-me muitas histórias da família, das divertidas festas com os seus 7 filhos e das muitas malandrices que eles faziam. A tia Laila era muito alegre e cozinhava muito bem, até a sopa era boa, fazia uma sopa de tomate deliciosa. No quarto dela havia um grande livro sobre animais que eu adorava e que ela me ia lendo aos bocadinhos. A tia Zália, mais calada, fazia-me desafios e adivinhas difíceis mas de que eu gostava muito e ficava todo contente quando conseguia responder. Esta tia era pintora e desenhava muito bem, fazia-me muitos livrinhos contando pequenas história tradicionais ilustradas com lindos desenhos. O meu avô sabia muitas coisas e contava-me muitas histórias de Homens importantes: inventores, escritores, navegadores, aviadores e sobre coisas que ele mesmo tinha vivido. Quando os meus pais vieram de Timor, voltei para a nossa casa do Porto mas continuei, nas férias, a passar muitos dias com os meus avós. Levavam-me muitas vezes com eles para Vidago. Ficávamos num hotel onde os almoços eram muito lentos, sempre compostos por entradas, sopa, dois pratos e sobremesa que demoravam muito a virem para a mesa. Havia sempre tempo para longas histórias. Entre outras histórias, o meu avô contava as de um escritor famoso chamado Aquilino Ribeiro, que eram tantas e tão especiais que ele acabou por as reunir num livro. O meu avô, que era engenheiro, trabalhava num empresa que andava a levar eletricidade às terras onde não a havia. Certo dia, chegou a uma pequena aldeia, sem energia elétrica, onde vivia este escritor. Os únicos interessados na eletricidade eram o escritor e a escola da aldeia, porque as outras pessoas, ou não sabiam para o que servia ou não a podiam pagar. Depois de muito conversarem, o meu avô lá acabou por eletrificar a aldeia e ele e o Aquilino ficaram grande amigos. Outras vezes contava histórias dos anos que passou nos Açores durante a II Guerra Mundial a ajudar os Aliados. Por causa da guerra, quase não havia gasolina e, para resolver este problema, o meu avô ajudou a fazer uma máquina para fazer gás, a partir da queima de lenha ou carvão, que era usado em vez da gasolina. Também me contou que uma vez apanhou grande susto, quando estava à espera da família, toda num barco a caminho dos Açores e ouviu a notícia que as forças do Eixo (os inimigos) o tinham afundado. Felizmente não era verdade. Naquele tempo as notícias demoravam a chegar e nem sempre estavam corretas. Contaram-me que o meu avô era muito bom e defendia os soldados quando havia injustiças, de tal modo que alguns, agradecidos, lhe chamavam o Pai dos Soldados, mas esta história não foi ele que me contou. Eu adorava que os meus avós ainda estivessem cá para me contarem mais histórias.

Pai Samuel

 

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