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Alguém vai?

31.01.17

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Quem tiver conta no Facebook, pode procurar a Mariana Vareta:

 

 

“Potential disruption due to extreme low temperatures”.

É o aviso meteorológico para os próximos dias no Norte da Grécia, para onde parto na segunda-feira para mais 3 semanas de voluntariado com refugiados (para quem possa ficar baralhado, é verdade que já fui no dia 10, mas tive que voltar de urgência por razões pessoais).

Quando cheguei a Portugal em Agosto, depois de 4 meses na Grécia, já vinha com a ideia fixa de voltar no pico do Inverno. Já nessa altura prevíamos que, apesar de todos os apelos, os campos não iam ser preparados a tempo e ia ser outra vez um drama. Mal nós sabíamos que vinha aí o pior Janeiro das últimas décadas.

Durante os últimos meses, perdi a conta às vezes que me perguntavam “se aquilo por lá andava melhor” e eu pensava para mim mesma “meu deus... as pessoas estão mesmo a leste”. É mesmo a única vantagem desta vaga de frio: ser uma nova wake up call. Sinceramente, ainda não percebi como é que não morre mais gente. Ainda há centenas de pessoas - bebés e crianças incluídos - a viver em tendas de pano montadas em cima de cimento húmido, dentro de fábricas geladas, com as portas e as janelas partidas. Muitas vezes não há água, porque os canos congelam e partem, e outras tantas não há eletricidade, porque os quadros não aguentam as dezenas de aquecedores e fogões portáteis com que as pessoas tentam desesperadamente combater o frio. Queima-se de tudo para criar algum calor, até mesas e cadeiras, até combustíveis tóxicos que só pioram os (muitos) problemas respiratórios. Falta coragem para tomar banho ou lavar a roupa em água gelada, portanto as doenças de pele alastram no meio da sujidade envergonhada. O sistema de saúde grego, que já estava praticamente colapsado, viu a crise dos refugiados provocar um aumento de 400% na procura de cuidados. Tudo o que não seja urgente ou gravíssimo fica numa lista de espera interminável (coisas tão simples como um gesso podem demorar quase uma semana). As mães são devolvidas às tendas 3 dias depois de uma cesariana, e os AVCs recebem alta assim que se aguentem numa cadeira de rodas - mesmo sabendo-se que só vão ter acesso a casas de banho portáteis montadas no exterior. Claro que qualquer gripe, neste contexto, é completamente desvalorizada. Das coisas que mais me impressionou foi um miúdo de 5 anos, encolhido num canto com dores de garganta, a chorar baixinho como quem já aprendeu que não adianta.

Os processos de asilo arrastam-se durante meses a fio, eternamente pendentes de respostas de uma Europa com cada vez menos vontade de ajudar. O medo está a ganhar à decência, e aos refugiados pouco adianta insistir que estão a fugir exatamente do mesmo fanatismo que nós tememos. Quase um ano depois do fecho das fronteiras, a Europa ainda só acolheu cerca de 8 mil das mais de 60 mil pessoas que ficaram presas na Grécia. O continente mais rico do mundo prefere pagar para manter o problema à distância: pagar à Turquia para não os deixar chegar cá, pagar à Grécia para segurar os que chegaram, pagar muros para travar os que sobram. Uma fracção deste dinheiro seria mais do que suficiente para reforçar o sistema de asilo grego, fazer verificações de segurança rápidas e eficazes, priorizar os menores desacompanhados e os casos mais vulneráveis, distribuir os verdadeiros refugiados pela Europa e repatriar os que não fossem elegíveis. Quer dizer, estamos a falar de 60 mil pessoas. É pouco mais do que a lotação de um estádio de futebol. Uma coisa que se resolvia em menos de um mês, se houvesse essa vontade. Mas não. Em vez disso, há mais de 2000 crianças desacompanhadas à mercê de todo o tipo de exploração, há mulheres a prostituírem-se por comida e pessoas a suicidarem-se em campos sobrelotados.

Relembro: isto passa-se na Europa do século XXI. Tanto o governo grego como a Agência das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR) receberam dezenas de milhões de euros da União Europeia para prepararem os campos para o Inverno - idealmente, mudar as pessoas para contentores aquecidos ou alojamento formal, ou, quando isso não fosse possível, aquecer as fábricas onde as pessoas ainda estão em tendas, isolar o chão e garantir um fluxo consistente de água quente. Não sei onde é que esse dinheiro foi parar - mas garantidamente não foi onde devia. Mas ainda tiveram a distinta lata de divulgar um vídeo onde se congratulavam pelo sucesso da operação.

“Uma comunicação chocante e completamente desconectada da realidade”, nas palavras dos Médicos sem Fronteiras - esses sim, com a independência que lhes é reconhecida, sempre a fazerem a diferença e a denunciarem quando é preciso .

Este assunto irrita-me tanto que nem me vou alongar mais, mas quem quiser detalhes sobre o tema pode lê-los neste link (o Guardian é dos poucos que nunca largou esta crise): https://www.theguardian.com/…/thousands-of-refugees-left-in…

O que me leva ao que me traz aqui: pedir ajuda para os grupos de voluntários e pequenas organizações. É muito importante que se perceba que, perante a lentidão das entidades oficiais, são estes grupos que andam a fazer a diferença - há cerca de dez dias, quando a UNHCR declarou que “nenhum funcionário devia ser obrigado a trabalhar naquelas temperaturas”, os voluntários andavam ao relento a distribuir roupa, cobertores e chá quente a refugiados com os dedos já azuis do frio. É essencial que se saiba que a maior parte da ajuda providenciada nesta crise vem de milhares de donativos individuais, tão pequenos como 5 euros, que sustentam o trabalho das centenas de voluntários que são um verdadeiro fenómeno de coordenação e eficácia no terreno - se alguém andar à procura de um tema interessante para um mestrado em ciências sociais, por favor recomendem-lhes uma viagem à Grécia. Por mais meses que passem, não consigo deixar de ficar estupefacta com o profissionalismo e a rapidez de resposta desta comunidade.

A maioria é gente como eu, que planeou ir um mês e nunca mais conseguiu vir embora. Viciados na sensação de estar no olho do furacão e fazer realmente a diferença todos os dias. A organização é impressionante, com centenas de pessoas em comunicação constante por facebook e whatsapp, numa partilha diária de recursos e informações que permite uma resposta quase imediata a qualquer tipo de questão.

Os canos congelaram e é preciso distribuir água engarrafada? Cria-se uma equipa temporária que começa a tratar disso no mesmo dia. Há tendas encostadas num armazém de Salónica que são precisas em Lesbos? No dia seguinte estão a ser enviadas por ferry. A situação na Sérvia está ainda mais dramática que na Grécia? Reorientam-se recursos e envia-se um comboio de ajuda. Um grupo recebeu mais comida do que precisa para o seu campo? As sobras são canalizadas para os que trabalham com os sem abrigo.

As mensagens chovem e as respostas também. Funciona literalmente assim - e apetece bater palmas todos os dias. São os voluntários que distribuem roupa, sapatos, botijas, chá, fruta e legumes. Que constroem fornos seguros para evitar incêndios, instalam máquinas de lavar roupa para as pessoas não congelarem as mãos, e eletrificam um campo inteiro quando o quadro derrete com o esforço. Que alugam apartamentos para os casos mais críticos, como os recém nascidos, as vítimas de violação e os muito doentes. Que ajudam nos pedidos de asilo, os acompanham às entrevistas e arranjam advogados para os casos mais gritantes. Que levam refeições quentes e cuidados médicos aos refugiados que vivem na rua. Que transportam pessoas para o hospital quando as ambulâncias demoram eternidades, e ficam lá com elas para garantir que não há problemas de comunicação. Que entretêm as crianças, que dão aulas aos adultos, que distribuem presentes no Natal.

É aos voluntários que a polícia pede ajuda quando há um motim, “porque eles a vocês ouvem-vos”. Basicamente, é aos voluntários que se deve aquilo não ser ainda muito pior do que é.

MAS.

Isto só é possível com a vossa ajuda. Imensa gente me disse durante estes meses que adorava poder fazer o mesmo que eu, mas não podia deixar o emprego, a casa, a família. Mas acreditem: ficar e ajudar a financiar quem vai é tão ou mais importante do que ir. A maioria dos voluntários de longo termo está completamente falida. As últimas poupanças já se foram há muito tempo e estamos, mesmo, completamente dependentes de donativos para poder continuar. O dinheiro é sempre a forma mais eficaz de ajudar, porque nos permite responder de imediato e rigorosamente à medida das necessidades - por exemplo, se hoje a temperatura cair a pique e forem precisos 20 fatos de neve para crianças dos 6 aos 10 anos, é muito mais provável encontrá-los numa loja do que no armazém que recebe as doações. Para além disso, tem a vantagem adicional de promover a economia local, o que ajuda a manter um clima de abertura à nossa presença.

O envio de roupa, para além de ser caro, só é produtivo se for estritamente limitado ao que é necessário (para não criar problemas de armazenamento) e já partir organizado por peças, sexos e tamanhos, de forma a que, à chegada, baste descarregar para começar a distribuição. Mas felizmente, há dois grupos a tratarem disso em Portugal! Portanto incluí-os abaixo, na minha lista de 10 sugestões para quem quiser ajudar. Que começa com a minha conta bancária, seguida do meu projecto :)

Mas também inclui outros grupos e organizações que são excelentes alternativas. Espero que encontrem alguma coisa com que se identifiquem! Façam-me só (outro) favor: não deixem para depois. Não pensem “Trato disto a seguir ao almoço / depois do jantar / quando voltar de fumar”. Se eu recebesse 5€ por cada pessoa que me disse (genuinamente!) “Opá! Queria tanto ter contribuído, mas passou-me e agora já estás cá...” - podia voltar para a Grécia de Porsche.

Portanto, FORMAS DE AJUDAR:

1) Transferência bancária para a minha conta pessoal (aberta exclusivamente para donativos, que tanto posso canalizar para o meu projecto como para outros grupos / organizações / necessidades que me pareçam pertinentes e/ou prioritárias. Opção adequada para quem confiar no meu bom senso e não quiser recorrer a transferências internacionais, cartões de crédito ou Paypal)

IBAN: PT50 0023 0000 4543 4724 729 94

Banco: ActivoBank

Nome: Mariana Vareta

País: Portugal

2) Apoiar a Mobile Info Team for Refugees - www.facebook.com/mobileinfoteam Este é o meu projecto, que começou quando percebemos que, logo a seguir à comida e à roupa, o que os refugiados mais queriam era informação. Visitamos vários campos por semana, tiramos dúvidas sobre o processo de asilo, ajudamos na preparação das entrevistas e fazemos pontes com advogados. Também temos uma página no Facebook, onde publicamos notícias, desfazemos rumores e respondemos a perguntas em árabe e farsi. Temos dois refugiados tradutores a viver connosco em permanência e, desde que começámos a trabalhar, já conseguimos acelerar dezenas de casos (que já estão quentinhos na Alemanha ou na Suécia, em vez de congelados na Grécia). Também damos formação a outros voluntários, principalmente de campos onde não conseguimos chegar. Somos 8 a 10 pessoas (o número varia) a viver num T3, onde dormimos em colchões no chão e cozinhamos mil e uma versões de leguminosas, porque carne e peixe são um luxo raro. Gastámos 50€ (a loucura!) num frigorífico tão velho que dá para espreitar lá para dentro - o que é uma vantagem inegável quando se está a planear o jantar. Não temos máquina de lavar roupa, nem sofá, nem televisão. Almoçamos e jantamos em mesas e cadeiras de plástico. Trabalhamos 12 horas por dia, 6 dias por semana, e só paramos ao domingo porque já percebemos que, se não o fizermos, começamos a andar à pancada. Quando precisamos mesmo de uma cerveja ao fim do dia, sai obviamente do nosso bolso e não dos donativos. Isto tudo para dizer que rentabilizamos MESMO BEM o dinheiro que nos dão - só o usamos para pagar a renda, as contas de água e luz, a comida e a gasolina (fazemos centenas de quilómetros por semana).

Donativos por cartão de crédito ou Paypal através do site https://mobileinfoteam.blogspot.pt/p/donate.html, ou por transferência bancária internacional para a nossa fundação: Stichting Mushkila Kabira IBAN: NL76 INGB 0007 3490 21 BIC: INGBNL2A

3) Apoiar a Get Shit Done Team - www.facebook.com/The-Get-Shit-Done-Team-304001796641127/ Para além de terem um nome genial, fazem um trabalho incrível como oficina móvel. Isolam campos inteiros, constroem portas e janelas, instalam fornos e máquinas de lavar, e pelo meio ainda arranjam tempo para salvar cães bebés de tempestades de neve e encontrar-lhes novos donos.

4) Apoiar a Hot Food Idomeni - www.facebook.com/Hotfoodidomeni Como o nome indica, começaram em Idomeni, mas neste momento são dos poucos a distribuir comida quente aos refugiados que vivem nas ruas de Belgrado. Aquelas filas intermináveis que andamos a ver no Telejornal? São para o camião deles.

5) Apoiar a Intervolve - www.facebook.com/InterVolve-219418945063168 Equipa super dinâmica, que prioriza um dos campos mais complicados (Softex) mas também intervém em vários outros.

6) Apoiar a Help Refugees - www.facebook.com/HelpRefugeesUK Uma das ONG mais importantes na crise dos refugiados. Ajudam um sem número de projectos em toda a Europa, incluindo vários dos referidos acima. O armazém principal em Salónica, de onde parte a maior parte da ajuda para os campos em volta, é gerido por eles.

7) Apoiar a Are You Syrious - https://www.facebook.com/areyousyrious/ Escrevem a newsletter diária que é a referência de toda a gente que trabalha com refugiados. Começaram no verão de 2015, como uma iniciativa civil para ajudar na rota dos Balcãs, e hoje são uma ONG com mais de 200 voluntários em vários países.

8) Mandar roupa para a Grécia - Campanha "Tem Frio?" - https://www.facebook.com/events/252564715166484 Pontos de recolha no Porto e em Lisboa, com transporte já garantido. Até ao dia 25 de Janeiro, aceitam roupa interior para todos os tamanhos e idades, especialmente para homens; roupa interior térmica para homem e mulher, tamanhos S e M; calças de fato de treino para homem e mulher, tamanhos S e M; botas de inverno de boa qualidade, tamanhos 40 a 45; gorros, luvas e cachecóis para homem e roupa de neve. O destino é o armazém referido acima.

9) Mandar roupa para a Sérvia - Campanha "Sobre_Viver na Sérvia" - https://www.facebook.com/events/597387673800844/ Pontos de recolha no Porto, em Lisboa, Coimbra, Évora, Castelo Branco e Proença a Nova. Até ao dia 28 de Janeiro, aceitam roupa quente, casacos, calçado, cobertores, sacos cama, meias quentes, luvas, gorros e roupa térmica. Também precisam de encontrar uma empresa que faça o transporte até à Sérvia, por isso todas as ideias e contactos são bem-vindos.

10) Partilhar este post (idealmente com umas palavrinhas vossas para garantir o engagement). E os links para estas equipas, e as notícias desta crise, e tudo o que seja possível para evitar que estas pessoas sejam esquecidas. Outra vez.

 

Agradecimentos finais: aos meus pais por me receberem outra vez em casa, qual adolescente aos 39 anos, depois de eu deixar o meu apartamento para “partir sem prisões”, e pelo apoio incondicional, mesmo quando as minhas opções os assustam. E a todos os que ligaram, mandaram mensagens ou apareceram no funeral da avó Zica. Foi uma senhora épica e deixa muitas saudades. Obrigada.

 

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27.01.17

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A Organização Mundial de Saúde mostra.

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Recordamos os Encarregados de Educação que amanhã, às 21.30h, na sede do Agrupamento, teremos Assembleia Geral da Associação de Pais.

 

Com a colaboração de muitos, a resposta às necessidades da Escola e dos nossos filhos será muito mais eficaz. Venham ouvir as propostas da APPonte, partilhar as vossas dúvidas e sugestões.

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Em contagem decrescente para o concerto Mão Verde de 5 de fevereiro, na Casa da Música, há mais um vídeo bonito  para partilhar. Cá está ele:

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Se tem um jardim, temos uma árvore para si” é o mote da campanha FUTURO, que quer ver 100.000 árvores e arbustos plantados no Porto. A iniciativa já vai na segunda edição e o prazo para candidaturas está aberto até 5 de Fevereiro. Até essa data, qualquer cidadão residente no concelho do Porto, com um jardim ou um logradouro, pode concorrer para receber sementes de árvores e arbustos autóctones da região. Cada cidadão, empresa ou organização “terá a oportunidade de escolher até dez árvores e arbustos e até três pacotes de sementes”, lê-se na apresentação do FUTURO. À escolha há 15 espécies e a oportunidade de receber “uma pequena formação especializada para aprender e a cuidar das novas plantas”. A campanha, em parceria com a Câmara Municipal do Porto, quer “afirmar definitivamente o Porto como uma cidade mais verde e mais sustentável”. Em 2016, ano da primeira edição, 1.551 árvores e arbustos foram entregues a cerca de 250 famílias e organizações. Em toda a Área Metropolitana do Porto, 81.369 novas árvores foram plantadas no âmbito do FUTURO. Os interessados em receber as sementes devem estudar bem as plantas disponíveis — “algumas gostam mais de sol e outras de sombra, algumas têm folha o ano todo e outras perdem a folha no Inverno” — e reservar aquelas que escolherem, através de um formulário de candidatura.

Toda a informação aqui.

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Roberto Neto desenvolveu recentemente uma aplicação para Android com histórias infantis, para serem lidas pelos pais e/ou pelas crianças. Depois de ler as histórias podem responder a perguntas simples sobre a própria história. A app irá sendo atualizada com novas histórias regularmente.

Lido aqui.

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Lido em https://www.jornaldeleiria.pt/noticia/os-pais-nao-sao-amigos-dos-filhos-sao-adultos-e-devem-funcio-4201

Daniel Sampaio: “Os pais não são amigos dos filhos. São adultos e devem funcionar como tal, traçando limites”

O psiquiatra que trabalha há mais de 30 anos com adolescentes e famílias, alerta: “quando as gerações ficam muito próximas, a autoridade enfraquece” Na última crónica que escreveu para a revista P2, do jornal Público, em Dezembro último, dizia que os pais estão mais próximos dos filhos como nunca, mas, em muitos casos, há um marcado défice de autoridade”.

O que está a falhar?

Na primeira metade do século XX, os pais estavam mais distanciados dos filhos. Existia autoritarismo e, muitas vezes, castigos físicos. A relação entre pais e filhos era de uma certa distância repressiva. A partir da segunda metade do século XX, nos anos 70 e 80, houve uma aproximação das gerações. Os pais, sobretudo, os progenitores masculinos, ficaram próximos das crianças. Do ponto de vista psicológico, isso foi muito benéfico. Mas, quando as gerações ficam muito próximas, a autoridade enfraquece. Neste momento existem muitos problemas porque os pais têm dificuldade em exercer a autoridade e a função parental. Já não podem voltar aos métodos antigos e, às vezes, são um pouco permissivos ou indulgentes, desculpando muitas coisas. Também porque estão muito centrados no trabalho ou no desemprego.

É preciso ganhar novas formas de autoridade.

Como?

Através, por exemplo, de medidas que permitam conciliar melhor a actividade profissional e a vida familiar.

A recente petição pública, promovida pela Ordem dos Médicos, para que as mulheres possam ter uma redução de duas horas diárias de trabalho para estarem com os filhos até aos três anos, é um bom exemplo.

O incentivo à natalidade passa por esse tipo de medidas?

Exactamente. Não se pode querer que as pessoas tenham filhos se não tiverem condições para tomarem conta deles. Os pais trabalham todo dia ou vivem ansiosos porque estão desempregados e, quando os filhos voltam da escola, essa ansiedade e as dúvidas parentais tornam-se latentes. Quando chegam à adolescência, alguns desses jovens tornam-se agressivos e os pais perdem o controlo da situação. Para que a autoridade surja de forma natural, é preciso apostar na relação entre pais e filhos nos primeiros anos de vida.

Que adolescentes estamos a criar com défice de autoridade de que fala?

Adolescentes muito omnipotentes e reivindicativos e bastante ciosos dos seus direitos e que, muitas vezes, se tornam agressivos com os pais e professores. Têm uma cultura de direitos, daquilo que lhes é devido, mas falta-lhes a cultura da responsabilidade e do respeito, que se perdeu um pouco. É preciso recuperá-la.

Há pais que se vangloriam de serem os melhores amigos dos filhos.

Esse não é o bom caminho. É preciso recuperar o fosso intergeracional, que se usou muito no século XX. Os pais não são amigos dos filhos. São adultos e devem funcionar como tal, traçando limites. Claro que pode e deve haver momentos de grande proximidade, mas é preciso perceber que um adulto tem de ter mais maturidade e mais contenção emocional e maior capacidade para evitar uma discussão. Vejo alguns pais e professores colocarem-se ao nível dos filhos e dos alunos. Entram numa discussão simétrica, em que um diz uma coisa e outro responde com outra pior. Quando isso se passa na família, a violência acaba por aparecer.

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01 Janeiro 2017 • Lucília Galha

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Maria (nome fictício), 10 anos, anda na vela, faz patinagem artística e ainda tem aulas extras de inglês. Todos os dias da semana estão ocupados com actividades extracurriculares, e até aos fins-de-semana tem provas. Já em casa, é o oposto: são os pais que assumem todas as tarefas, até as mais básicas e que ela já devia fazer sozinha, como arrumar a cama e o seu quarto. Como chega a casa muito cansada, a mãe até é capaz de lhe dar a comida à boca; quando veste uma camisa com muitos botões ainda precisa de ajuda para os apertar; só muito recentemente começou a atar os sapatos sozinha (usava sobretudo de velcro); e ainda pede o biberão para beber antes de dormir. 

"Tanto eu como a mãe sempre praticámos desporto e achámos importante ela ter estas actividades, mas se calhar metemo-la em demasiadas coisas e esquecemo-nos de lhe dar outras competências mais básicas", diz à SÁBADO André (nome fictício), consultor, 38 anos.

Tempo e muita paciência Pais convertidos numa espécie de mordomos dos filhos são um paradigma desta geração, em que alguns nem se levantam para ir buscar um copo de água. O problema são as consequências deste tipo de situação.

"As crianças precisam de regras para crescerem com competências emocionais e comportamentais. Quanto mais se sentirem úteis, mais autónomos serão no futuro", explica a psicóloga de adolescentes Bárbara Ramos Dias. A ideia é começar a ensiná-los o mais cedo possível e fazer o reforço pela positiva. "É normal que uma criança de 3 anos não faça a cama perfeita, mas já consegue puxar as orelhas e, se a incentivarmos ('que orgulho, ajudas muito a mãe'), ela interioriza essas tarefas mais facilmente", aconselha.

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